Eleição de Barack Obama já influencia as relações entre Estado Unidos e Iraque

Reportagem interessantíssima do New York Times de hoje, sobre as mudanças de “tom” nas negociações entre as tropas norte-americanas e o partido xiita no Iraque:

BAGHDAD — Barack Obama may have been elected only three days ago, but his victory is already beginning to shift the political ground in Iraq and the region. (…)

Em síntese, Barack Obama tem uma situação difícil pela frente, uma vez que o governo iraquiano é majoritariamente xiita. Isso significa que quaisquer movimentos que os Estados Unidos façam no Iraque repercutem, necessariamente, no explosivo vizinho, o Irã.

Até agora os principais políticos xiitas do Iraque têm sofrido uma enorme pressão dos xiitas iranianos, que crêem que um acordo entre Iraque e Estados Unidos possa trazer uma presença permanente de tropas ianques na região – algo que o Irã, obviamente, não quer. No entanto, a eleição de Barack Obama abre uma possibilidade nova, na medida em que, com os Republicanos se retirando das negociações, a pressão sentida pelos políticos iraquianos se alivie, criando condições novas para um entendimento no qual as tropas americanas ficarão, mas respeitando a soberania do Iraque, e sem condições de atacarem outros países, a partir do solo iraquiano.

A reportagem aponta, sobretudo, para uma mudança de “tom” nas negociações, agora muito mais otimista. Os governantes iraquianos ganharão, ao que parece, maior atenção em suas reivindicações para a manutenção de tropas americanas, em concordância também com os países vizinhos ao Iraque, notadamente Irã e Arábia Saudita e Síria. A conferir como estas negociações andarão.

Agora, a notícia mais interessante do texto está no fato de que a administração de Obama mudará seu foco de ação do Iraque para o Afeganistão. Ou seja: Obama vai fazer, espera-se o que deveria ter sido feito desde o começo: caçar aquela besta-fera do Bin Laden, desmontar a Al Qaeda, forçar combate contra os Talebãs, destroçar o tráfico de drogas de papoula e heroína, ao invés de manter duas frentes de batalha, uma no Afeganistão e outra no inferno que virou o Iraque.

De qualquer forma, um dos grandes desafios que Obama terá que enfrentar é o anti-americanismo legado por Bush. Isso foi péssimo: os motivos para a guerra contra o terrorismo internacional e contra a Al Quaeda, em particular, são plenamente justificáveis. No entanto, Bush conseguiu a proeza de descontentar aliados europeus, mobilizar a opinião pública do mundo inteiro contra si (mesmo quando estava certo) e fazer os EUA se transformarem nos vilões da globalização. Mudar a imagem internacional dos EUA, de golpista no interior dos G8 (ou usurpador no interior do Império, como falaram uma vez Hardt e Negri) para uma força política capaz de promover uma integração mais pacífica da economia mundial será uma enorme tarefa. Se conseguir, Barack Obama terá dado um passo significativo para afirmar a hegemonia americana no mundo, bem como para interferir em áreas perigosas para os EUA e o ocidente, em especial no Oriente Médio e com os grupos terroristas.

Publicado em:  on 7 07UTC Novembro 07UTC 2008 at 3:56 pm Deixe um comentário
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