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	<title>Comentários sobre: Michel Foucault: libertário demais para ser de direita, conservador demais para ser de esquerda? (I)</title>
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	<description>Blog espelho - cópia de segurança</description>
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		<title>Por: Renato A. de Oliveir</title>
		<link>http://ofimdahistoria.wordpress.com/2008/11/14/michel-foucault-libertario-demais-para-ser-de-direita-conservador-demais-para-ser-de-esquerda-i/#comment-79</link>
		<dc:creator>Renato A. de Oliveir</dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2008 09:27:19 +0000</pubDate>
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		<description>Caro Ricardo Cabral,
Caro Catatau - Toupinambaoult poliling&#252;&#237;stico! (hehehehe)

em primeiro lugar agrade&#231;o imensamente a presen&#231;a de voc&#234;s, com coment&#225;rios melhores que a postagem.

Sim, Catatau - iniciei esta s&#233;rie de postagens (estou trabalhando na segunda parte do texto, agora) n&#227;o s&#243; porque havia decidido revisitar a obra do Foucault, mas porque estou de saco cheio com a quantidade absurda de besteiras, ju&#237;zos de valor emitidos por gente que nunca leu a obra do  fil&#243;sofo - e acho que nunca leu NENHUM fil&#243;sofo na vida - , gente, enfim, para quem emitir opini&#227;o a qualquer custo e fazer essa opini&#227;o (doxa) prevalecer de qualquer jeito &#233; mais importante do que ler, pensar, estudar.

&quot;Sinal dos tempos?&quot;, vc. pergunta. Cara, na boa: esses &quot;tempos novos&quot; j&#225; come&#231;aram h&#225; alguns anos, eu at&#233; arrisco uma data: 11/09/2001. Desde l&#225;, oposi&#231;&#227;o ao neo-liberalismo, cr&#237;tica ao pensamento &#250;nico, pacifismo, diplomacia, movimentos sociais, tentativas de pensar a pluralidade &#233;tnica mundial foram reduzidas a coisas como &quot;ideologia&quot;, &quot;esquerdismo&quot;, &quot;relativismo&quot;, &quot;anacronismo&quot; e, enfim, &quot;terrorismo&quot;. Tudo isso me lembra imediatamente Deleuze e o &quot;post scriptum sobre as sociedades de controle&quot;, quando ele avisa sobre a vinda de for&#231;as de rea&#231;&#227;o numa intensidade ainda n&#227;o vista. Po&#237;s &#233;, elas chegaram e est&#227;o a&#237;. Hard Times, my brother!

Ricardo, sim, &#233; isso mesmo: a esquerda esclerosou de forma t&#227;o retumbante que n&#227;o conseguiu ver o que estava diante do seu nariz, isto &#233;, uma classe trabalhadora cada vez mais diferente daquilo que ela fora nos at&#233; a Segunda Guerra Mundial. N&#227;o entenderam que, ap&#243;s 1945, e nos anos 1960/70, em particular, o ambiente de trabalho havia mudado, as condi&#231;&#245;es de consumo haviam mudado, a escolariza&#231;&#227;o dos trabalhadores havia mudado. S&#243; as dire&#231;&#245;es sindicais n&#227;o haviam mudado e se aferraram ao &quot;senso comum&quot; de esquerda (sim, existe um!). ReSuLtAdO: dessindicaliza&#231;&#227;o e crise.

Agora, enquanto isso acontecia na Europa, no Brasil havia justamente um aumento da sindicaliza&#231;&#227;o e o ressurgimento do movimento oper&#225;rio como for&#231;a pol&#237;tica, no final dos anos 1970 - com o sindicalismo do ABC e com as centrais sindicais. A ret&#243;rica era de esquerda, mas o que aquele movimento oper&#225;rio e suas lideran&#231;as desejavam pouco tinha em comum o reacionarismo das dire&#231;&#245;es sindicais europ&#233;ias.

Eu penso que devemos nos perguntar se hoje, na esquerda brasileira, n&#227;o est&#225; acontecendo algo parecido com o que ocorreu com os sindicatos e a esquerda francesa dos anos 1970. No que o PT se transformou? Por que ele n&#227;o conseguiu romper com o populismo que as dire&#231;&#245;es do partido, e seus intelectuais, criticaram por tantos anos?

Por fim, que direita &#233; essa que est&#225; sendo criada no Brasil? Aparentemente sofisticada, ela tem sua m&#225;quina de guerra implantada na imprensa, e voltada contra os movimentos sociais, contra qualquer pol&#237;tico de esquerda, contra qualquer tentativa de constru&#231;&#227;o de um estado de bem-estar social. A ret&#243;rica &#233; tecnicista e aparentemente civilizada, mas mobiliza o mais profundo e enraizado ressentimento de classes existente no Brasil. &#201; horrorosa, e n&#227;o por acaso deu espa&#231;o para que teses revisionistas sobre a ditadura militar (em especial escritas por Jarbas Passarinho e, com menos freq&#252;&#234;ncia e maior veem&#234;ncia, por Olavo de Carvalho. Fora a quantidade de sites na internet que se dizem &quot;libert&#225;rios&quot; mas s&#227;o do maior reacionarismo disfar&#231;ados de liberalismo americano. S&#227;o essas quest&#245;es que me preocupam no momento, pelo ressentimento pol&#237;tico que elas mobilizam.

Sobre esse ressentimento pol&#237;tico, eis a&#237; algo que podemos conversar.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Ricardo Cabral,<br />
Caro Catatau &#8211; Toupinambaoult poliling&uuml;&iacute;stico! (hehehehe)</p>
<p>em primeiro lugar agrade&ccedil;o imensamente a presen&ccedil;a de voc&ecirc;s, com coment&aacute;rios melhores que a postagem.</p>
<p>Sim, Catatau &#8211; iniciei esta s&eacute;rie de postagens (estou trabalhando na segunda parte do texto, agora) n&atilde;o s&oacute; porque havia decidido revisitar a obra do Foucault, mas porque estou de saco cheio com a quantidade absurda de besteiras, ju&iacute;zos de valor emitidos por gente que nunca leu a obra do  fil&oacute;sofo &#8211; e acho que nunca leu NENHUM fil&oacute;sofo na vida &#8211; , gente, enfim, para quem emitir opini&atilde;o a qualquer custo e fazer essa opini&atilde;o (doxa) prevalecer de qualquer jeito &eacute; mais importante do que ler, pensar, estudar.</p>
<p>&quot;Sinal dos tempos?&quot;, vc. pergunta. Cara, na boa: esses &quot;tempos novos&quot; j&aacute; come&ccedil;aram h&aacute; alguns anos, eu at&eacute; arrisco uma data: 11/09/2001. Desde l&aacute;, oposi&ccedil;&atilde;o ao neo-liberalismo, cr&iacute;tica ao pensamento &uacute;nico, pacifismo, diplomacia, movimentos sociais, tentativas de pensar a pluralidade &eacute;tnica mundial foram reduzidas a coisas como &quot;ideologia&quot;, &quot;esquerdismo&quot;, &quot;relativismo&quot;, &quot;anacronismo&quot; e, enfim, &quot;terrorismo&quot;. Tudo isso me lembra imediatamente Deleuze e o &quot;post scriptum sobre as sociedades de controle&quot;, quando ele avisa sobre a vinda de for&ccedil;as de rea&ccedil;&atilde;o numa intensidade ainda n&atilde;o vista. Po&iacute;s &eacute;, elas chegaram e est&atilde;o a&iacute;. Hard Times, my brother!</p>
<p>Ricardo, sim, &eacute; isso mesmo: a esquerda esclerosou de forma t&atilde;o retumbante que n&atilde;o conseguiu ver o que estava diante do seu nariz, isto &eacute;, uma classe trabalhadora cada vez mais diferente daquilo que ela fora nos at&eacute; a Segunda Guerra Mundial. N&atilde;o entenderam que, ap&oacute;s 1945, e nos anos 1960/70, em particular, o ambiente de trabalho havia mudado, as condi&ccedil;&otilde;es de consumo haviam mudado, a escolariza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores havia mudado. S&oacute; as dire&ccedil;&otilde;es sindicais n&atilde;o haviam mudado e se aferraram ao &quot;senso comum&quot; de esquerda (sim, existe um!). ReSuLtAdO: dessindicaliza&ccedil;&atilde;o e crise.</p>
<p>Agora, enquanto isso acontecia na Europa, no Brasil havia justamente um aumento da sindicaliza&ccedil;&atilde;o e o ressurgimento do movimento oper&aacute;rio como for&ccedil;a pol&iacute;tica, no final dos anos 1970 &#8211; com o sindicalismo do ABC e com as centrais sindicais. A ret&oacute;rica era de esquerda, mas o que aquele movimento oper&aacute;rio e suas lideran&ccedil;as desejavam pouco tinha em comum o reacionarismo das dire&ccedil;&otilde;es sindicais europ&eacute;ias.</p>
<p>Eu penso que devemos nos perguntar se hoje, na esquerda brasileira, n&atilde;o est&aacute; acontecendo algo parecido com o que ocorreu com os sindicatos e a esquerda francesa dos anos 1970. No que o PT se transformou? Por que ele n&atilde;o conseguiu romper com o populismo que as dire&ccedil;&otilde;es do partido, e seus intelectuais, criticaram por tantos anos?</p>
<p>Por fim, que direita &eacute; essa que est&aacute; sendo criada no Brasil? Aparentemente sofisticada, ela tem sua m&aacute;quina de guerra implantada na imprensa, e voltada contra os movimentos sociais, contra qualquer pol&iacute;tico de esquerda, contra qualquer tentativa de constru&ccedil;&atilde;o de um estado de bem-estar social. A ret&oacute;rica &eacute; tecnicista e aparentemente civilizada, mas mobiliza o mais profundo e enraizado ressentimento de classes existente no Brasil. &Eacute; horrorosa, e n&atilde;o por acaso deu espa&ccedil;o para que teses revisionistas sobre a ditadura militar (em especial escritas por Jarbas Passarinho e, com menos freq&uuml;&ecirc;ncia e maior veem&ecirc;ncia, por Olavo de Carvalho. Fora a quantidade de sites na internet que se dizem &quot;libert&aacute;rios&quot; mas s&atilde;o do maior reacionarismo disfar&ccedil;ados de liberalismo americano. S&atilde;o essas quest&otilde;es que me preocupam no momento, pelo ressentimento pol&iacute;tico que elas mobilizam.</p>
<p>Sobre esse ressentimento pol&iacute;tico, eis a&iacute; algo que podemos conversar.</p>
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		<title>Por: Ricardo_Cabral</title>
		<link>http://ofimdahistoria.wordpress.com/2008/11/14/michel-foucault-libertario-demais-para-ser-de-direita-conservador-demais-para-ser-de-esquerda-i/#comment-78</link>
		<dc:creator>Ricardo_Cabral</dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2008 11:38:39 +0000</pubDate>
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		<description>Al&#233;m de ter apreciado as tuas palavras sobre o Foucault, &#233; bom ver que chamou a aten&#231;&#227;o do Catatau, um ilustre blogueiro e grande conhecedor da obra do fil&#243;sofo supracitado!
E os teus coment&#225;rios sobre as cr&#237;ticas de setores da esquerda &#224; obra dele &#8212; cr&#237;ticas essas que considero mesquinhas e equivocadas, em minha humilde opini&#227;o &#8212;  me fizeram lembrar de outro equ&#237;voco, este apontado pelo psiquiatra e psicanalista Christophe Dejours, cometido pelo sindicalismo franc&#234;s dos anos setenta do s&#233;culo passado &#8212; e extens&#237;vel a boa parte do sindicalismo ocidental &#224; &#233;poca &#8212;, que foi o de negligenciar os estudos sobre as rela&#231;&#245;es entre subjetividade e trabalho, alegando que privilegiavam a subjetividade individual, o que levaria a pr&#225;ticas individualizantes e inibiria a a&#231;&#227;o coletiva, ou seja, seria algo &quot;pequeno-burgu&#234;s&quot; e de natureza essencialmente reacion&#225;ria. Se o sindicalismo soubesse como essa vis&#227;o contribuiu ainda mais para a fragilidade sindical e a dessindicaliza&#231;&#227;o das d&#233;cadas posteriores, sem falar nas radicais transforma&#231;&#245;es ocorridas na esfera do trabalho, n&#227;o teriam insistido nessa besteira, ela sim reacion&#225;ria...

Abs.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Al&eacute;m de ter apreciado as tuas palavras sobre o Foucault, &eacute; bom ver que chamou a aten&ccedil;&atilde;o do Catatau, um ilustre blogueiro e grande conhecedor da obra do fil&oacute;sofo supracitado!<br />
E os teus coment&aacute;rios sobre as cr&iacute;ticas de setores da esquerda &agrave; obra dele &mdash; cr&iacute;ticas essas que considero mesquinhas e equivocadas, em minha humilde opini&atilde;o &mdash;  me fizeram lembrar de outro equ&iacute;voco, este apontado pelo psiquiatra e psicanalista Christophe Dejours, cometido pelo sindicalismo franc&ecirc;s dos anos setenta do s&eacute;culo passado &mdash; e extens&iacute;vel a boa parte do sindicalismo ocidental &agrave; &eacute;poca &mdash;, que foi o de negligenciar os estudos sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre subjetividade e trabalho, alegando que privilegiavam a subjetividade individual, o que levaria a pr&aacute;ticas individualizantes e inibiria a a&ccedil;&atilde;o coletiva, ou seja, seria algo &quot;pequeno-burgu&ecirc;s&quot; e de natureza essencialmente reacion&aacute;ria. Se o sindicalismo soubesse como essa vis&atilde;o contribuiu ainda mais para a fragilidade sindical e a dessindicaliza&ccedil;&atilde;o das d&eacute;cadas posteriores, sem falar nas radicais transforma&ccedil;&otilde;es ocorridas na esfera do trabalho, n&atilde;o teriam insistido nessa besteira, ela sim reacion&aacute;ria&#8230;</p>
<p>Abs.</p>
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	</item>
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		<title>Por: Catatau</title>
		<link>http://ofimdahistoria.wordpress.com/2008/11/14/michel-foucault-libertario-demais-para-ser-de-direita-conservador-demais-para-ser-de-esquerda-i/#comment-77</link>
		<dc:creator>Catatau</dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2008 11:44:27 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://ofimdahistoria.planogratis.com/?p=98#comment-77</guid>
		<description>&quot;ou talvez, como protesto contra algo que, para mim, n&#227;o est&#225; claro&quot;... ou talvez, como protesto contra algo que, PARA ELES, n&#227;o est&#225; claro.

Quanto &#224; tua pergunta, a frase acima responde: o que houve &#233; que tudo aquilo que diz respeito ao &quot;bonde&quot; do Foucault deve muito mais aos propagadores do bonde, do que ao Foucault.

E n&#227;o se trata de defender o Foucault, mas sim a leitura. Ponto a ponto do que voc&#234; escreveu acima n&#227;o tem nada a ver com Foucault, mas sim com certas m&#225;s leituras dele, que se propagaram. Desde o &#039;p&#243;s-modernista porraloca&#039;, passando por aquela defini&#231;&#227;o de &#039;libert&#225;rio&#039;, e chegando no &#039;bonde&#039;.

Seriam sinais dos tempos? &#201; muito mais f&#225;cil se posicionar sem ler, do que ler e depois se posicionar... e descobrir que via de regra esse palavreado de &#039;direita&#039; e &#039;esquerda&#039; dividem pontos em comum, aos quais Foucault j&#225; deu seu riso filos&#243;fico.

;)</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&quot;ou talvez, como protesto contra algo que, para mim, n&atilde;o est&aacute; claro&quot;&#8230; ou talvez, como protesto contra algo que, PARA ELES, n&atilde;o est&aacute; claro.</p>
<p>Quanto &agrave; tua pergunta, a frase acima responde: o que houve &eacute; que tudo aquilo que diz respeito ao &quot;bonde&quot; do Foucault deve muito mais aos propagadores do bonde, do que ao Foucault.</p>
<p>E n&atilde;o se trata de defender o Foucault, mas sim a leitura. Ponto a ponto do que voc&ecirc; escreveu acima n&atilde;o tem nada a ver com Foucault, mas sim com certas m&aacute;s leituras dele, que se propagaram. Desde o &#039;p&oacute;s-modernista porraloca&#039;, passando por aquela defini&ccedil;&atilde;o de &#039;libert&aacute;rio&#039;, e chegando no &#039;bonde&#039;.</p>
<p>Seriam sinais dos tempos? &Eacute; muito mais f&aacute;cil se posicionar sem ler, do que ler e depois se posicionar&#8230; e descobrir que via de regra esse palavreado de &#039;direita&#039; e &#039;esquerda&#039; dividem pontos em comum, aos quais Foucault j&aacute; deu seu riso filos&oacute;fico.<br />
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