Recebi muitos e bons presentes este fim de ano. Mas no dia 25/12 a Vanis brindou a blogosfera com um poema maravilhoso. Estou tomando- emprestado o poema, devidamente citado e linkado.
É com esta convicção de que não existe nada mais fantástico que a vida cotidiana e sua imanência que desejo a todos um feliz ano novo.
O BOM E VELHO COTIDIANO
poema de Vanessa Beatriz Bortulucce
Que tristeza, o cotidiano foi esquecido
no meio da festa. Ninguém se lembra dele,
agora que todos estão absortos e trôpegos
ao redor das luzinhas coloridas,
balas de goma cósmicas.
quem se lembra de uma nuvem de abril, ou de
uma segunda semana de junho,
ou do primeiro dia de março?
Pobre cotidiano, dormindo com seus trapinhos
na curva da escada,
bem ali, perto do cartão de ponto.
Folhas úmidas de outdoors
já perderam toda a sua intenção;
que saudade do cafezinho vagabundo
no copo de plástico.
Do arroz segunda-feira, do cigarro na
troca de turno,
das pestanas lentas do dia-a-dia
no meio de toda esta festa.
hoje alguém está sentindo falta
das catracas, dos botecos e das moedas
soltas nos bolsos. Alguém está pensando no pátio vazio,
nos cadeados e nas pedrinhas brincando no chão.
Sem fitas douradas e vermelhas, sem cerejas
apenas a saudade que jamais se admite:
ah, como que queria abraçar
o cotidiano novamente.