E por falar em Kenneth Serbin…

o historiador concedeu uma bela entrevista sobre sua pesquisa ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Serbin pesquisou a relação entre a Igreja e a Ditadura militar no Brasil, cujo resultado pode ser conferido no livro Diálogos na Sombra, publicado pela Companhia das Letras.

Publicado em:  on 11 11UTC Novembro 11UTC 2008 at 10:53 pm Comentários (1)
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Justiça reconhece Carlos Brilhante Ustra como torturador

(Direto do blog de Pedro Dória, via NPTO)

Carlos Brilhante Ustra, coronel reformado do exército e membro do antigo DOI-CODI, já foi beneficiado pela lei de Anistia. No entanto, o Tribunal de Justiça de São Paulo o reconheceu como torturador.

O objetivo não é necessariamente levar Ustra para a cadeia, mas apontá-lo como alguém que praticou atos terríveis – torturar uma mulher grávida – e comandar uma máquina de perseguição à opositores da ditadura militar, a pretexto de “caçar terroristas”.

O esforço é válido. Mesmo que nenhum agente do DOI-CODI vá para a cadeia, o simples fato de fazer esse país se confrontar com o seu passado já é algo benéfico, talvez mesmo profilático para que todo esse ressentimento latente acabe de uma vez.

Engana-se quem acha que a ditadura está esquecida e que as dores foram sanadas. Se houve todo uma espécie de romantização da figura dos guerrilheiros do Araguai – o que está longe de ser verdade – é impressionante a quantidade de blogs que aceita o argumento cínico e indecente segundo o qual a ditadura militar caçava terroristas. Primeiro porque (1) não é verdade: um simples exame das condições nas quais a guerrilha do Araguaia lutava (cf. MOURA, Clóvis, Diário da Guerrilha do Araguaia, ed. Alpha-Omega, 1979) para perceber que os guerrilheiros estavam em absurda desvantagem numérica, logística, de armamento, mesmo de avaliação das possibilidades reais de vitória contra o regime; chega a ser chocante, pela leitura do Diário, documento produzido pelos próprios guerrilheiros, como a fé na revolução comunista tornava obtusa a percepção das condições materiais da guerrilha; tratava-se de um grupo, inclusive, que não representava a totalidade dos pontos de vista das esquerdas do período – que, majoritariamente, não defendeu a luta armada. Agora, quem consome a propaganda da direita, tanto a da época quanto a atual, pensa que existia uma FARC no Araguaia, o que é ridículo.

Além disso (2) as outras ditaduras do continente fizeram ações contra guerrilhas e elas não conseguiram conter os seus grupos armados. Ou seja, não vale o argumento de que, se não fossem as ditaduras latino-americanas o continente teria mergulhado na revolução marxista-leninista. (3) A brutalidade das ditaduras – e podem generalizar: para nenhuma ditadura, de nenhum espectro ideológico – por princípio pode ser aceita. Tivemos uma ditadura de direita no Brasil. É ela que precisa ser investigada.

Isso significa defender a ortodoxia marxista-leninsta? Não, de modo algum. Mas não há argumento que impeça a justiça de apontar os participantes da tortura, das prisões arbitrárias, da repressão dos manifestantes de esquerda – da centro esquerda à extrema esquerda. E não é preciso demonizar a direita para sabermos o que aconteceu: basta abrirmos os arquivos oficiais, estudar a documentação, revirar os processos, deixar profissionais como os historiadores fazerem seu trabalho livremente. O que existir, aparecerá.

Pode-se, sem dúvida, ouvir aqueles que participaram dos acontecimentos, a favor da ditadura militar, e perceber o seu ponto de vista. Mas é ridículo achar que eles são a minoria, que eles não possuem acesso à grande imprensa. Jarbas Passarinho, por exemplo, expõe livremente seu ponto de vista a partir das colunas do jornal O liberal, de Belém, e nunca ninguém pensou e tomar sua palavra, ou proibí-lo de escrever por dizer claramente que a ação da ditadura foi necessária contra a guerrilha. Ou seja: é muito paranóico achar que a imprensa brasileira é “dominada por esquerdistas”. A internet com certeza não é. O Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, O Liberal e a revista Veja podem ser tudo, menos esquerdistas. Que baboseira é essa?

No fim das contas, trata-se de mais uma tentativa de apagar a memória, de fazer uma história oficial da ditadura militar brasileira, a partir do ponto de vista das força armadas da época, mas agora “turbinada” por uma perspectiva completamente “neocon”. Que abram os arquivos, que se fale, de peito aberto, tudo o que se tem para falar, que se aponte o dedo para quem se deve apontar. Querem chamar a esquerda de terrorista? Dane-se, porque ela já foi tachada há muito tempo de terrorista. Mas que se aponte o dedo para os torturadores então. Que tudo seja às claras, como fez a justiça paulista.

Publicado em:  on 13 13UTC Outubro 13UTC 2008 at 1:45 pm Deixe um comentário
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